sábado, 14 de outubro de 2017

Educação Especial - Autismo - Autismo e outras perturbações da Infância (Vídeo)


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"Autismo e outras perturbações da Infância" é o tema do Causa Pública desta 3ª feira. 

Especialista e Associações estão preocupados com o elevado número de casos de autismo no arquipélago dos Açores, por comparação com o continente. Para abordar a questão Víctor Alves convida o pediatra Nuno Lobo Antunes e Luísa Mendes, mãe de uma criança poertadora de autismo.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Educação Especial - Autismo - Autismo e outras perturbações da Infância (Vídeo)


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Autismo e outras perturbações da Infância" é o tema do Causa Pública desta 3ª feira. 

Especialista e Associações estão preocupados com o elevado número de casos de autismo no arquipélago dos Açores, por comparação com o continente. Para abordar a questão Víctor Alves convida o pediatra Nuno Lobo Antunes e Luísa Mendes, mãe de uma criança portadora de autismo.


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Educação Especial - Autismo - O meu filho é diferente... será autista?


As manifestações da doença são notadas quase sempre antes dos 3 anos, geralmente entre os 6 e os 20 meses de idade. 
Desde os primeiros tempos de vida, a maioria das crianças são sociáveis e procuram activamente o contacto com os outros: jogam ao "faz-de-conta", brincam com os seus pares, gostam de dar e receber mimos.
No entanto, em certos casos, os pais notam que o seu filho não interage com os outros desta forma. É o que acontece com a criança autista, na qual existe problemas em três domínios: socialização, comunicação e comportamento.
Leo Kanner descreveu esta patologia em 1943 e cerca de um ano mais tarde, um grupo de crianças com características semelhantes foi descrito por Asperger. 

Em que idade aparece?
As manifestações da doença são notadas quase sempre antes dos 3 anos, geralmente entre os 6 e os 20 meses de idade.
Tipicamente não existe um período de desenvolvimento normal, embora em cerca de 20% dos casos os pais tenham descrito um desenvolvimento relativamente normal durante um ou dois anos.

É uma doença frequente?
Não. Segundo os estudos mais recentes, para uma população de 10 000 indivíduos há 10 pessoas com autismo. Transpondo para o nosso país, haverá cerca de 10 000 pessoas com esta doença.
O autismo pode ocorrer em qualquer família, independentemente do seu grupo racial, étnico, socio-económico ou cultural.
Sabe-se que é mais frequente no sexo masculino, numa proporção de 4 a 5 rapazes para 1 rapariga.

Quais as causas desta doença?
Foram propostas diversas teorias para tentar explicar o autismo.
Trata-se de uma perturbação biológica, com forte componente genético; contudo, a sua etiologia é desconhecida, parecendo ser multifactorial.
Nas décadas de 40 e 50 acreditava-se que a causa do autismo residia nos problemas de interacção da criança com os pais/família. Hoje sabe-se que esta ligação não tem qualquer fundamento.
A partir dos anos 60, com investigações baseadas em estudos de casos de gémeos e doenças genéticas associadas ao autismo (X frágil, esclerose tuberosa, fenilcetonúria, entre outras), descobriu-se a existência de um factor genético multifactorial e de diversas causas orgânicas relacionadas com a sua origem. Factores pré-natais (como a rubéola materna) e durante o parto (prematuridade, baixo peso ao nascer, infecções graves neonatais) também parecem ter influência no aparecimento das perturbações do espectro do autismo.

Quais as manifestações a que os pais devem estar atentos?
-O bebé com autismo apresenta determinadas características diferentes dos outros bebés da sua idade.
-Pode mostrar indiferença pelas pessoas e pelo ambiente ou ter medo de objectos. Por vezes tem problemas de alimentação e de sono.
-Pode chorar muito sem razão aparente ou, pelo contrário, pode nunca chorar.
-Quando começa a gatinhar pode fazer movimentos repetitivos (bater palmas, rodar objectos, mover a cabeça de um lado para o outro).
-Ao brincar não utiliza o jogo social nem o jogo de faz-de-conta.
-Tem grande dificuldade de interagir com as outras crianças.
-Não utiliza os brinquedos na sua função própria: um carro pode servir como objecto de arremesso e uma boneca para desmanchar.

Que outras características têm estas crianças?
Partindo do que se denomina a tríade de perturbações do autismo, com manifestações nos já citados três domínios, podemos agrupar as características:

Domínio social
-Parecem viver no seu próprio mundo, desligadas, alheadas, desinteressadas e insensíveis aos outros.
-Grande dificuldade em interagir com outras crianças: partilhar, cooperar ou jogar à vez são para eles tarefas muito difíceis.
-Seres humanos, animais e objectos poderão ser tratados da mesma forma.
-Relativa incapacidade de partilha de alegrias ou procura de ajuda/conforto em situações de stress.

Domínio da comunicação
-Evitam o contacto ocular e podem resistir ou mostrar desagrado ao serem pegados ou tocados.
-Têm perturbações da linguagem (tanto da compreensão como da expressão), por vezes mesmo uma ausência de linguagem que faz pensar em surdez. Se existe linguagem, o vocabulário é pobre. É frequente não usarem o eu e repetirem de modo estranho, como que em eco, o que acabaram de ouvir (ecolalia).
-Problemas na comunicação não-verbal: mantêm-se muito próximas ou muito afastadas dos interlocutores e olham para os lábios em vez de para os olhos durante a comunicação. Fazem um uso muito pobre da mímica facial ou dos gestos.

 Domínio do comportamento 
-Tendem a entregar-se a jogos e rotinas repetitivas, de forma isolada, como por exemplo fazer girar objectos. Têm com frequência, em particular em situações de angústia e excitação, movimentos repetitivos das mãos, dedos, etc. (por exemplo abanar as mãos como a imitar um passarinho).
-Grande rigidez do pensamento e comportamento, por vezes com crises de auto e heteroagressividade face às mudanças das rotinas ou do meio que as rodeia ou quando são contrariadas.
-Ligações bizarras a certos objectos ou partes destes.
-Por vezes são extremamente sensíveis a cheiros, sabores e sensações tácteis.
-A hiperactividade é um problema comum.
-Em certos casos existem talentos especiais, por exemplo para o cálculo, a música ou o desenho.

Todas as crianças com autismo têm atraso mental?
O défice cognitivo (atraso mental) ocorre em 65-88% dos casos. Algumas destas crianças têm inteligência normal ou até superior, como pode acontecer na síndrome de Asperger.

Há tratamento para esta doença?
É muito importante que a criança seja orientada o mais precocemente possível para uma consulta de Pediatria de Desenvolvimento, onde, no caso de se concluir por este diagnóstico, se irá traçar um programa de intervenção específico. Este envolve vários tipos de terapia (psicológica, de linguagem, ocupacional) e estratégias educativas. O tratamento pode também envolver psicofármacos em situações de agressividade, autodestruição ou convulsões. É fundamental a participação activa da família.

Qual a evolução destas situações?
O prognóstico do autismo tem vindo a melhorar. De acordo com estudos recentes, 5% a 10% destas crianças tornam-se adultos autónomos.
É importante relembrar que nesta doença há uma ampla variedade, quer na qualidade quer na gravidade das manifestações da doença e que cada caso é único e tem que ser abordado de modo individualizado.

Gabriela Marques Pereira in Educare (20-10-2010)

domingo, 8 de outubro de 2017

Educação Especial - Autismo - A Tríade do Autismo


Lorna Wing definiu o autismo como uma síndrome que apresenta comprometimentos em três importantes domínios do desenvolvimento humano: a comunicação, a sociabilização e a imaginação. A isto, ela deu o nome de tríade.

Desvios qualitativos da comunicação
Caracterizada pela dificuldade em utilizar com sentido todos os aspectos da comunicação verbal e não verbal. Isto inclui gestos, expressões faciais, linguagem corporal, ritmo e modulação na linguagem verbal.
Portanto, dentro da grande variação possível na severidade do autismo, poderemos encontrar uma criança sem linguagem verbal e com dificuldades na comunicação por qualquer outra via - isto inclui ausência de uso de gestos ou um uso muito precário dos mesmos; ausência de expressão facial ou expressão facial incompreensível para os outros e assim por diante - como podemos, igualmente encontrar crianças que apresentam linguagem verbal, porém esta é repetitiva e não comunicativa.
Muitas das crianças que apresentam linguagem verbal repetem simplesmente o que lhes foi dito. Este fenómeno é conhecido com ecolalia imediata. Outras crianças repetem frases ouvidas há horas, ou até mesmo dias antes (ecolalia tardia).
É comum que crianças com autismo e inteligência normal repitam frases ouvidas anteriormente e de forma perfeitamente adequada ao contexto, embora, geralmente nestes casos, o tom de voz soe estrando e pedante.

Desvios qualitativos na sociabilização
Este é o ponto crucial no autismo e o mais fácil de gerar falsas interpretações. Significa a dificuldade em relacionar-se com os outros, a incapacidade de compartilhar sentimentos, gostos e emoções e a dificuldade na discriminação entre diferentes pessoas.
Muitas vezes a criança que tem autismo aparenta ser muito afectiva por aproximar-se das pessoas, abraçando-as e mexendo, por exemplo, no seu cabelo ou mesmo beijando-as quando na verdade ela adopta indiscriminadamente esta postura, sem diferenciar pessoas, lugares ou momentos. Esta aproximação, usualmente, segue um padrão repetitivo e não contém nenhum tipo de troca ou compartilhamento.
A dificuldade de sociabilização, que faz com que a pessoa que tem autismo tenha uma pobre consciência da outra pessoa, é responsável, em muitos casos, pela falta ou diminuição da capacidade de imitar, que é um dos pré-requisitos cruciais para a aprendizagem, e também pela dificuldade de se colocar no lugar de outro e de compreender os factos a partir da perspectiva do outro.
Pesquisas mostraram que mesmo nos primeiros dias de vida um bebé típico prefere olhar para rostos do que para objectos. Através das informações obtidas pela observação do rosto dos pais, o bebé aprende e encontra motivação para aprender. Já o bebé com autismo dirige a sua atenção indistintamente para pessoas e para objectos, e a sua incapacidade em perceber pessoas faz com que perca oportunidades de aprendizagem, refletindo-se num atraso do desenvolvimento.

Desvios qualitativos na imaginação
Caracteriza-se por rigidez e inflexibilidade e estende-se às várias áreas do pensamento, linguagem e comportamento da pessoa. Isto pode ser exemplificado por comportamentos obsessivos e ritualísticos, compreensão literal da linguagem, falta de aceitação das mudanças e dificuldades em processos criativos.
Esta dificuldade pode ser percebida por uma forma de brincar desprovida de criatividade e pela exploração peculiar de objectos e brinquedos. Uma criança que tem autismo pode passar horas a fio explorando a textura de um brinquedo. Em crianças que têm autismo e têm inteligência preservada, pode-se perceber a fixação em determinados assuntos, na maioria dos casos incomuns em crianças da mesma idade , como calendários ou animais pré-históricos, o que é confundido às vezes com nível de inteligência superior.
As mudanças de rotina, como de casa, dos móveis, ou até mesmo de percurso, costumam perturbar bastante algumas dessas crianças.

Espectro do Autismo
O Autismo não é uma condição de "tudo ou nada"; ao contrário, é visto como um continuum que vai do grau leve ao severo. Existe uma grande associação entre autismo e défice cognitivo, desde o leve até o severo, sendo que considera-se que a gravidade do défice cognitivo não está necessariamente associado à gravidade do autismo.
A palavra autismo actualmente pode ser associada a diversas síndromes. Os sintomas variam amplamente, o que explica por que actualmente refere-se ao autismo como um espectro de transtornos.
Dentro deste espectro encontramos sempre a tríade de comprometimentos que confere uma característica comum a todos eles. Alguns são diagnosticados simplesmente como autismo, traços autísticos, etc, ou síndrome de Asperger (considerado por muitos como o autismo com inteligência normal). Além destes, existem diversas síndromes identificáveis geneticamente ou que apresentam quadros diagnósticos característicos, que também estão englobadas no espectro do autismo.

Fonte: Ama.org

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Educação Especial - Autismo - Sinais de Alerta






quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Educação Especial - Autismo - Autismo Infantil


"O autismo, embora possa ser visto como uma condição médica, também deve ser encarado como um modo de ser completo, uma forma de identidade profundamente diferente."


Início precoce 
A maioria dos pesquisadores e clínicos concorda que os sintomas do autismo infantil, geralmente, iniciam-se antes dos trinta meses de idade. Indicadores que o processo de desenvolvimento da criança não vai bem podem ocorrer antes dos seis meses de idade. Crianças que choram demais ou são vistas como muito quietas pelos pais, crianças que têm pouco contacto visual, não mantêm posição antecipatória ou não prestam atenção aos eventos familiares principais podem estar apresentando sintomas iniciais da síndrome autista. As alterações no ritmo do desenvolvimento da criança também costumam ocorrer precocemente. 

O início precoce é um dos principais sintomas que diferenciam o autismo infantil do transtorno desintegrativo na infância. Na síndrome de Heller, o quadro clínico inicia-se após um período de desenvolvimento normal da criança e, geralmente, ocorre após os três primeiros anos de vida. 

O DSM III-R não inclui o início precoce como critério diagnóstico, visto que há relatos de síndromes autistas típicas que se iniciam em pessoas entre 4 e 31 anos de idade, em conexão, por exemplo, com uma encefalite herpética.

Interacção social recíproca
Os distúrbios na interacção social dos autistas podem ser observados desde o início da vida. Com autistas típicos, o contacto ‘olho a olho’ já se apresenta anormal antes do final do primeiro ano de vida. Muitas crianças olham do canto do olho ou muito brevemente. Um grande número de crianças não demonstra postura antecipatória ao serem pegos pelos seus pais, podendo resistir ao toque ou ao abraço. Dificuldades em moldar-se ao corpo dos pais, quando no colo, são observadas precocemente. Crianças que, posteriormente, receberam o diagnóstico de autismo, demonstravam falta de iniciativa, de curiosidade ou comportamento exploratório, quando bebés.

Frequentemente, os pais descrevem-nas como: "felizes quando deixadas sozinhas", "como se estivessem dentro de uma concha", "sempre no seu próprio mundo".

Os autistas têm um estilo ‘instrumental’ de se relacionar, utilizando-se dos pais para conseguirem o que desejam. Um exemplo de modo instrumental de relacionamento ocorre quando a criança autista pega a mão de sua mãe e a utiliza para abrir uma porta em vez de abrir a porta com sua própria mão.

FRITH (1991) sugere que a falha básica nos autistas é a incapacidade de atribuir aos outros indivíduos sentimentos e pontos de vista diferentes do seu próprio, concluindo que falta a essas crianças uma "teoria da mente". Esse facto faz com que a empatia da criança seja falhada, afectando sentimentos básicos, como medo, raiva ou alegria. As pessoas , os animais e os objetcos acabam sendo tratados de um mesmo modo, visto que a criança não percebe a diferença entre um indivíduo que pensa e tem desejos e um objecto inanimado. 

As crianças autistas não compreendem como se estabelecem as relações de amizade. Algumas não têm amigos e outras acreditam que todas as crianças de sua sala de aula são seus amigos.

A indiferença em dividir actividades e interesses com outras pessoas também é um sintoma marcante (a habilidade em mostrar objectos de interesse para outras pessoas ocorre no primeiro ano de vida, e a ausência desse sinal é um dos sintomas mais precoces do autismo infantil).

Os autistas apresentam dificuldades em manter um contacto social inicial, demonstrando problemas para sustentar esse contacto, com frequência interrompido prematuramente.

Com o passar dos anos, as anormalidades de relacionamento social tornam-se menos evidentes, principalmente se a criança é vista próxima de seus familiares. A resistência em ser tocado ou abraçado bem como o evitamento no contacto visual tendem também a diminuir. 

Linguagem e comunicação
Quando os autistas começam a se utilizar da linguagem (ou falham em começar), os pais passam a perceber com mais clareza que seus filhos são diferentes das outras crianças da mesma idade. Muitas vezes, é o atraso na aquisição de linguagem verbal que faz com que os pais procurem ajuda médica.

Apesar desse facto, sinais de dificuldades na capacidade de comunicação das crianças autistas são evidentes mesmo antes do período de aquisição da linguagem verbal , mas passam desapercebidos pelos pais.

Nas crianças autistas, a comunicação não verbal precoce é usualmente limitada ou inexistente. Bebés rapidamente desenvolvem uma habilidade de se comunicar por meio de sinais não verbais: demonstram suas emoções pela expressão facial, procuram por objectos de interesse ou por pessoas, antecipam-se para obter contacto físico com seus pais. O mesmo não ocorre com crianças autistas.

Usualmente, crianças autistas demonstram sérios problemas na compreensão e utilização da mímica, gestualidade e fala. 

Desde o início, os jogos de ‘faz de conta’ e de imitação social, amplamente observados nas crianças com desenvolvimento normal, são deficitários ou inexistentes.

Quase sem excepção, os autistas apresentam atraso ou ausência total no desenvolvimento da linguagem verbal, que não é compensado pelo uso da gestualidade ou outras formas de comunicação. Apesar de não demonstrarem alterações significativas no balbucio, metade dessas crianças não adquirem linguagem verbal e, as que adquirem, apresentam sérios desvios de linguagem. Aproximadamente 37% das crianças autistas começam a falar as primeiras palavras normalmente, mas param de falar, repentinamente, entre o vigésimo quarto e o trigésimo mês.

Os autistas que desenvolveram linguagem apresentam dificuldades marcantes em iniciar ou sustentar diálogos e, muitas vezes, apesar de se utilizarem da fala, não visam comunicação.

Nas crianças que falam, o uso restrito e estereotipado da linguagem é bem descrito. Por exemplo, KANNER (1943) descreveu uma menina autista que seguia uma rígida rotina antes de ir dormir, exigindo que sua mãe participasse de um diálogo que era idêntico dia após dia. Outros aspectos da linguagem restrita e estereotipada são a ecolalia imediata ou tardia, a inversão pronominal, a linguagem metafórica e a invariabilidade do ritmo e tonalidade da linguagem verbal. 

Repertório restrito de actividades e interesses 
Completando a tríade diagnóstica, um repertório restrito e pouco criativo de interesses e actividades ocorre com as crianças autistas. 

Os interesses da criança autista costumam ser anormais ,principalmente, no seu foco e intensidade. Por exemplo, indivíduos autistas podem aprender uma vasta quantidade de informações sobre um determinado assunto, tal como carros ou novelas, memorizando uma gama de informações e conversando de forma insistente e estereotipada sobre o assunto por eles escolhido. Na sua actividade lúdica, costumam focar seu interesse em apenas um determinado brinquedo ou determinada maneira de brincar (ex.: ficam enfileirando os carrinhos durante horas) .

Os indivíduos autistas apresentam uma insistência na ‘mesmice’, que se apresenta pelo seu comportamento inflexível e suas rotinas e rituais não funcionais, por exemplo, costumam seguir sempre determinados caminhos até a escola, têm rituais para dormir ou se alimentar. Mudanças no ambiente que a criança costuma frequentar podem causar episódios de agitação psicomotora e agressividade. Mudanças mínimas no ambiente costumam causar quadros mais severos de agitação do que mudanças maiores. Por exemplo, uma menino autista de 5 anos chorou durante quase uma hora até a sua mãe perceber que havia retirado um livro da sua estante; ao ter o livro reposto, parou de chorar em segundos.

As rotinas e rituais costumam agravar-se na adolescência, chegando até a caracterizar um diagnóstico de transtorno obsessivo-compulsivo. 

Frequentemente, crianças autistas vinculam-se de forma bizarra a determinados objectos ou partes de objectos, tais como pedras, fios, a roda de um carrinho. Adoram objectos que brilham ou que giram (por exemplo, tampas de panelas). Os objectos, usualmente seleccionados a partir de uma característica particular (cor, textura), permanecem com a criança durante horas ou dias, e sempre que alguém tenta removê-los, a criança torna-se inquieta ou agressiva, resistindo à mudança. 

Movimentos corporais estereotipados são comuns e apresentam-se sob a forma de "flapping", balanceio da cabeça, movimentos com os dedos, saltos e rodopios. Esses movimentos costumam ocorrer, principalmente, entre os mais jovens e os que têm um funcionamento global mais baixo. Apesar de também estar presentes nas crianças que apresentam apenas atraso mental, nos autistas os movimentos costumam ser mais elaborados e intensos. 

Comportamentos inespecíficos associados ao autismo
Apesar de comumente associadas à síndrome, várias características clínicas não são incluídas nos critérios diagnósticos. Crianças com autismo mostram, em geral, um padrão cognitivo desigual e, frequentemente, têm uma melhor performance nas tarefas não verbais e visuoespaciais do que nas tarefas verbais. Sintomas comportamentais associados à síndrome incluem hiperactividade, curto tempo de atenção, impulsividade, comportamento agressivo, acessos de auto-agressividade e agitação psicomotora. Algumas pessoas com autismo têm respostas extremas aos estímulos sensoriais, tais como hipersensibilidade a luz, som, toque, e fascinação por certos estímulos auditivos ou visuais. Distúrbios do sono e da alimentação também são comuns nessas pessoas, além de medo excessivo em situações corriqueiras ou perda do medo em situações de risco.

Esses sintomas inespecíficos, apesar de não fazerem parte dos critérios diagnósticos primários, são os que mais trazem problemas para a família e a equipa terapêutica, fazendo com que as crianças, muitas vezes, tenham que ser medicadas com psicotrópicos, para um melhor controlo desses comportamentos. 

Fonte: PsicWeb

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Educação Especial - Autismo - Relatos de Vida


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O testemunho dos madeirenses que, necessitando de cuidados de saúde, se deparam com um conjunto de dificuldades e obstáculos. A informação sobre os meios que estão à disposição dos utentes e as histórias de vida dos que dependem destes serviços.

sábado, 30 de setembro de 2017

Educação Especial - Autismo - Ensinar crianças autistas


Inicialmente, o termo autismo foi implantado por Bleuler (1911), ligado à sintomatologia abrangente que ele havia estabelecido para unificar, através da esquizofrenia, o campo das psicoses. O autismo era chamado “dissociação psíquica”, que se referia ao predomínio da emoção sobre a percepção da realidade.

Ao longo das décadas de 70 e 80, o autismo passa a ser visto, predominantemente, como um distúrbio cognitivo. Nessa época, ele deixa de ser considerado como uma condição envolvendo basicamente retraimento social e emocional, e passa a ser concebido como um transtorno do desenvolvimento, envolvendo déficits cognitivos severos com origem em alguma forma de disfunção cerebral.

O autismo não é considerado, hoje, um estado mental fixo, irreversível e imutável, mas o resultado de um processo que pode, pelo menos em parte, ser modificado por meio de intervenções terapêuticas. Ele não pode ser causado por fatores emocionais e/ou psicológicas. As evidências apontam para a multicausalidade. Descobertas recentes apontam a possibilidade de o autismo ser causado por uma interação gene-ambiente.

As crianças autistas têm um repertório muito limitado de comportamento, ou seja, fazem realmente poucas coisas. Isso, sem dúvida, é um dos motivos que leva às dificuldades de aprendizagem. Algumas delas são:

•Dificuldade de atenção: algumas crianças são incapazes de se concentrar, mesmo por poucos segundos. Para superar esta dificuldade, é necessário planear situações de ensino estruturadas, dividindo em pequenos passos e metas o que elas devem aprender. Também possuem dificuldades em reconhecer a relação espacio-temporal entre acontecimentos que se inscrevem dentro da mesma modalidade sensorial.

•Dificuldades de raciocínio: muitas vezes elas aprendem mecanicamente, sem compreender a essência ou significado do que queremos que aprendam. O planeamento de tarefas pode evitar essa mecanização, acentuando o que realmente é significativo para elas.

•Dificuldade de aceitação dos erros: frequentemente deixam de responder às chamadas de atenção e ordens, baixando o nível de atenção. Dessa forma, a aprendizagem não se produz. Para que isso não ocorra é preciso habituá-los a adaptarem-se a situações cada vez menos gratificantes.

Algumas estratégias podem ser utilizadas no dia-a-dia para solucionar esses problemas, tais como: 
- criar situações de faz-de-conta que despertem o interesse da criança; 
- usar bonecos para representar a família; 
- criar soluções simbólicas para ajudar a resolver os problemas; 
- encorajar a investigar pistas e sinais; e modelar/mediar uma sequência do que se deve fazer; 
- introduzir palavras que a criança se interesse para que, posteriormente, ela possa construir frases com elas.

Os educadores devem desenvolver um programa de educação individualizado para focalizar nos problemas específicos da criança. Isto inclui terapia de fala e do idioma, e também habilidades sociais e treino de habilidades quotidianas. Eles devem elaborar estratégias para que essas crianças consigam desenvolver capacidades de poderem se integrar com as outras crianças ditas “normais”.

Informação retirada daqui

domingo, 9 de julho de 2017

Educação Especial - Síndrome de Asperger - Mecanismo


A Síndrome de Asperger é uma condição neuropsicológica que causa efeitos no desenvolvimento cerebral em geral, provocando mudanças nos vários sistemas funcionais existentes. Embora a dissociação da SA com outros transtornos do espectro autista ainda não seja clara e não tenha sido descoberta nenhuma patologia em comum para todos os distúrbios, há probabilidade de que a síndrome tenha mecanismos distintos das demais desordens. Alguns estudos neuroanatômicos e supostas ações de agentes teratogênicos presumem que a alteração no desenvolvimento cerebral ocorra logo após a fecundação. A migração anormal de células embrionárias durante o desenvolvimento fetal pode afetar a estrutura definitiva do cérebro e seus circuitos nervosos, afetando ligações diretamente relacionadas ao pensamento e comportamento. Existem várias teorias e estudos relacionados, porém nenhum fornece uma explicação completa a respeito do mecanismo da Asperger.

A teoria da underconnectivity trabalha com a hipótese do subfuncionamento das conexões e sincronizações neurais de alto nível e com um excesso de processos de baixo nível. Ela mapeia bem as teorias de processamento geral tais como a teoria da coerencia central fraca, que hipotetiza que uma capacidade limitada de ver grandes imagens adjascentes a disturbios centrais no TEA.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Educação Especial - Síndrome de Asperger - Os desafios da idade adulta de portadores de Asperger


Como explica Mónica Pinto, os “aspies” têm capacidades cognitivas normais e, por isso, têm capacidade de ser autónomos e ter a sua profissão: “claro que se não houver uma intervenção poderão manter dificuldades na integração social e comunitária e alguma dependência dos pais, mas os casos em que a intervenção é eficaz e atempada, evoluem com perfeita autonomia e integração (…)”

De acordo com a pediatra do desenvolvimento, são habitualmente adultos que gostam de rotinas, pelo que se adaptam melhor a profissões mais sistemáticas e com menos contacto social, da mesma forma que tendem a ter grupos de amigos mais restritos e alguns comportamentos peculiares. No entanto, podem ser completamente funcionais e alguns mesmo brilhantes na sua profissão pela enorme dedicação aos seus interesses que os caracteriza.

Mas mesmo quando não alcançam o brilhantismo, como refere a APSA, os portadores de Asperger têm características muito prezadas por qualquer entidade patronal: a pontualidade, a fiabilidade do trabalho executado e a dedicação às tarefas que realizam. Claro que, para que possam estar integrados, precisam que o ambiente de trabalho que os rodeia seja harmonioso e que as pessoas à sua volta estejam sensibilizadas para as suas diferenças de forma a compreenderem as suas características e “feitio” particular.

No caso de Bruno, a mãe descreve-o como um rapaz feliz, de bem com vida, sincero e honesto, carinhoso e também ele preocupado com seu futuro. A grande preocupação de Maria é o que acontecerá com Bruno depois dela, uma vez que, no seu caso, apesar de muitos anos de terapias, não tem autonomia suficiente para viver sozinho. No entanto, considera que pode continuar a ser feliz com uma autonomia protegida e até com um emprego, pela que a mãe sente essa necessidade de lhe criar esse “chão seguro”. Está certa de que haverá um lugar seguro com qualidade, privacidade, respeito pela individualidade, onde ele possa ficar protegido onde consigam lidar com ele e aprender com ele. E continuará a procurá-lo.

Informação retirada daqui